sábado, 27 de novembro de 2010

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"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas."


Caio F. Abreu






Aline Marjorie.

domingo, 7 de novembro de 2010

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(...) não, segura esse choro, por favor. Não é de mim que você vai ouvir “Eu bem que te avisei”, tranqüilize-se. Da mesma forma que eu nunca quis ter sido atingida pelas palavras que você me atirou como dardos. Lembra quando eu falei dos paralelepípedos jogados do oitavo andar? rs. Eu sei que você lembra.
Mas nada disso vem ao caso agora.
Lembra da última vez que a gente sentou na piscina do teu prédio, pra contar casos, besteiras, coisas incomuns e, por puro acaso, era final de tarde e o sol se pôs? Sim, você lembra. Tinha um monte de barquinho e eu quis descer até o cais. Você pediu pra que eu não fosse, pra ficar perto só segurando tua mão, porque você, sem mais discurso, disse só que não tava bem e que todo barquinho ia, deslizava e findava por voltar, por isso eu não precisava ir naquela hora, um outro dia quem sabe.
E eu que sou boba e todo o mais, fiquei.
Segurei tua mão, cê deitou a cabeça no meu ombro e me deixei ser Eu, me deixei ficar, me deixei sentir frio e calor ao mesmo tempo, me deixei não ver o tempo, me deixei literalmente. Eu podia te falar agora a música que tocava, justo nesse momento, não era mesmo? Mas não vou. Músicas lhe comovem e eu não quero suas emoções hoje.
Aquele dia não se eternizou, mas dele em diante muita coisa se repetiu, a ponto de se tornar hábito.
Você aprendeu que palavras são armas, que todo Oceano pode ser pequeno só depende de onde e como você olha, aprendeu a voar, tomou a vida nas mãos e saiu por aí. Eu fiquei cuidando de tudo, enquanto você pintava o céu, driblava passarinhos e descuidadosamente me transformava em alvo.
Felizmente, aprendeu o caminho de volta também. Árdua volta pra casa, sem a trilha de tijolinhos amarelos.
Isso aconteceu a primeira vez há bastante tempo, tanto que até me foge à memória. E continuou acontecendo... Eu segurava tua mão, o barquinho deslizava indo e mesmo nunca tendo ido ao Cais, eu sinto que sempre fui e você voava, depois tomava o caminho de volta e eu segurava tua mão de novo...
Foram muitas vezes.
Você entende porque agora eu to pedindo pra você não chorar?
Não precisa você me falar que não é a primeira vez, eu sei melhor que ninguém. Eu só posso te assegurar que eu já conheço a tua estrada, já verifiquei o perigo de todos esses passos que você faz questão de dar, sempre na mesma direção, e não há nada assustador se você lembrar sempre o caminho de volta. Aqui você ta segura.
Então, me dê a mão, mas lembre sempre do caminho de volta.


P.S: imaginação solta.



Aline Marjorie.