
Não adianta, eu só escrevo pra uma pessoa. Única.
Sopre o vento pra o lado que bem insistir, que já eu não insisto em contrariar. É exatamente aquilo de deixar o barco seguir seu rumo lento, como quem já não quer mais chegar.
Por muita falta de direção, sentido ou pela sobra dos dois, nunca tinha me ocorrido que, da mesma forma que a direita de quem vai é a esquerda de quem vem, o que me é certo e confortável, a ti incomoda e sufoca. Da estrada que sigo, passo a passo, de olhos atentos às pedras e prováveis tropeços, você faz o caminho de volta de olhos também atentos, à procura de uma alma perdida em alguma dessas esquinas. A sua própria, diga-se de passagem.
Ok, há um "quê" de mentira no meu caminho cuidadoso. Por sorte, medo ou pura pressa, de quando em vez, eu corro (com lobos) e é aí que se verificam os maiores tombos da minha história. É,
às vezes me preservo e noutras suicido. E acabei tomando gosto por viver à beira de abismos, e contar, vez ou outra, uma pieguice qualquer sobre a sensação de voar.
Sempre nos encontramos e você é, de longe, a mais bonita. Sempre.
E também sempre nos perdemos, esse é o natural das coisas e apesar de não mais encontrar sua mão segura na minha (ou seria a minha na sua?), há uma marca na mão direita, a minha.
Isso não vai mudar o correr da vida, nem nossos caminhos, nem nosso jeito, aliás nosso mal-jeito de olhar a vida juntas, tampouco nosso casual desencontro.
Você só não vai embora de mim, não vai.
P.S: Voltei.
Aline Marjorie.